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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

“Hoje eu quero voltar sozinho” é o representante do Brasil no Oscar 2015



Por Camila Forte


O longa-metragem indicado pela comissão do Ministério da Cultura para concorrer a melhor filme estrangeiro no Oscar de 2015 é “Hoje eu quero voltar sozinho”, de Daniel Ribeiro. Ele aborda a história de Leonardo, um adolescente cego e homossexual que tenta lidar com a limitação e a superproteção da mãe. No longa, é retratada a busca do protagonista pela independência. O cotidiano de Leonardo muda quando aparece Gabriel, um colega de recém-chegado na cidade que o ajuda a descobrir mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

Com uma linguagem sensível, o filme ganhou o prêmio da crítica internacional no último Festival de Berlim e, na disputa para representar o Brasil na premiação, concorreu com outras dezessete produções culturais, entre elas, “Tatuagem” de Hilton Lacerda, e “Serra Pelada”, de Heitor Dhalia.

“Hoje eu quero voltar sozinho” ganhou o prêmio Teddy Award, dedicado a produções com a temática homossexual. Essa é a prova da atenção que o júri do Festival de Berlim está dando para os filmes de temática gay.



Esse é um filme de grandes descobertas: o amor e o sexo. No entanto, essas descobertas do garoto gay e cego são tratadas de maneira simples, sem cuidados ou delicadezas. O longa se destaca ao tratar as particularidades do protagonista como trataria as especificidades físicas e de temperamento de qualquer adolescente.

É incrível que um filme como esse, que trata de homossexualidade e deficiência, esteja derrubando barreiras e sendo reconhecido da maneira que merece. “Hoje eu quero voltar sozinho” foi o escolhido entre tantos outros filmes para receber prêmios. Isso prova que está acontecendo uma importante e significativa mudança de mentalidade na sociedade.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uni-duni-tê

Cena do filme "Tatuagem"
Por Beatriz Coppi

Todos os anos, são produzidos milhares de longa metragens com ou sem cenas de sexo. Alguns mais recentes, entretanto, têm provocado muitas discussões, não só por tratarem de homossexuais mas pelo forte conteúdo de cenas eróticas. A gente separou e resumiu cinco lançados nos últimos meses, sendo alguns deles já citados aqui no blog, para você decidir qual assistir (ou assistir a todos, por que não?):


Ninfomaníaca I e II, de Lars von Trier


Ninfomaníaca, grande sucesso de 2014, originalmente foi filmado para ser apenas um longa. Depois, a produção achou que o filme ficou longo demais e o dividiu em duas partes. Em ambos, é vista muito bem trabalhada a questão da autoafirmação sexual, o que era um problema para a protagonista. Até que ela assume ser obcecada por sexo desde criança e, no decorrer do filme, ela conta suas histórias e os atores do filme dão vida aos episódios, inclusive nas cenas mais picantes.


Azul é a cor mais quente, de Abdellatif Kechiche


Neste filme, a protagonista Adéle tem dúvidas sobre sua sexualidade e se apaixona pela primeira vez por uma mulher (que tem o cabelo pintado de azul). Como não podia contar para ninguém, ela mergulha nessa paixão e em suas questões internas. O aspecto do filme mais intenso ainda é que a personagem precisa enfrentar os preconceitos e entra em guerra com a própria família.


Tatuagem, de Hilton Lacerda


Com espaço e tempo em Recife durante a ditadura militar, “Tatuagem” conta a história de um militar que se apaixona por um líder de um grupo de teatro. Eles engatam o romance, responsável pelo erotismo no filme, mas Fininha (o militar) precisa vencer o dilema entre manter seu relacionamento homossexual ou permanecer trabalhando pela manutenção da ditadura. Um filme bastante intenso e também interessante do ponto de vista histórico.

Assista o trailer de "Tatuagem": 



Um Estranho no Lago, de Alain Guiraudie

Neste longa metragem, um lago nudista frequentado por homens homossexuais é o centro da trama. Frank, um dos frequentadores mais assíduos, um dia se apaixona pelo novato do lugar, Michel. E isso faz com que tudo mude de figura, não no sentido romântico, mas porque Michel, na verdade, é uma pessoa perigosa que fará com que Frank passe por vários conflitos por causa do romance.

Confira o trailer legendado de "Um Estranho no Lago":


terça-feira, 10 de junho de 2014

Sexo por toda parte! - Cobertura do 4o PopPorn Festival

Em sua 4ª edição, festival PopPorn renova com produções eróticas de diversas artes 

Atuação na edição de 2012 do festival - Foto: Reprodução
Por Priscila Kesselring

Em 2010, a jornalista Suzy Capó foi para Berlim, com o intuito de participar de um festival de cinema erótico. Lá, passou dias entre discussões sobre sexualidade e pornografia e produções cinematográficas alternativas, que fugiam do main stream do cinema erótico.

Suzy ficou tão entusiasmada com o que viu na cidade alemã, que quando voltou ao Brasil não via a hora de criar um festival semelhante. Foi aí que nasceu o PopPorn, que no último final de semana (6 a 8 de junho) chegou a sua quarta edição, no centro de São Paulo.

A cada edição, o festival vai somando temáticas e pessoas. “Hoje o PopPorn é um festival multidisciplinar, o que mostra que ele foi mudando de cara ao longo desses quatro anos”, conta Suzy em um dos corredores da Trackers, casa noturna paulistana que deu lugar ao evento - tratado como uma "virada do sexo", por ter tido 48 horas de atividades.
Imagem: Divulgação
Curtas, longas, performances, festas e debates trouxeram a heterogeneidade para o festival. A novidade deste ano foi a exposição de zines – publicações independentes de desenhos e outras técnicas – com temas eróticos.

A mostra de filmes contou com produções de países como a Alemanha, Israel e Tailândia. A idealizadora do evento, Suzy Capó, diz ter preferências pelos curta-metragens. “Os curtas são mais experimentais, são um formato que permite uma ousadia maior, em todos os sentidos, porque você não tem um comprometimento, um limite”, afirma.

De acordo com a jornalista, todos os filmes falam sobre sexo, mas das formas mais diferentes possíveis, não necessariamente a partir do sexo explícito. O longa “O Fim da Pegação”, por exemplo, é um filme gay que fala sobre o desaparecimento das “pegações públicas” – expressão usada por Suzy - ao longo dos últimos anos.

Ela afirma que se trata de um filme bastante político, pois retrataria uma certa “normatização da homossexualidade”. Ainda nesse sentido, quando questionada sobre a relação entre o PopPorn e política, ela ressalta: “o próprio fato de o festival existir, da afirmação do sexo positivo, já é algo político por si só”.

Para mais informações sobre o festival PopPorn, clique aqui.